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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Mais antigo farol gaúcho agoniza na região de Tavares e Mostardas

 

Inaugurado em 1849 às margens da Lagoa dos Patos, Capão da Marca sofre com ação do tempo, roubos e pichações. Acesso também é um problema


Paisagem de cartão-postal transformou o farol em ponto turístico, mas sua situação é de deterioração


Durante quase dois séculos, o mais antigo farol do Rio Grande do Sul permaneceu intacto mesmo diante dos intensos temporais que avançam sobre a Lagoa dos Patos. Em determinadas épocas, foi o único da região a não precisar de reparo após uma tempestade. Porém, o Capão da Marca, localizado em Tavares, no Litoral Médio, está quase tombando diante do vandalismo e do abandono. 

Nos últimos anos, foi alvo constante de pichações ao longo da estrutura metálica de 19 metros de altura e de depredações, que acabaram inutilizando-o. Segundo moradores locais, o equipamento ficou no escuro por meses. Em operação, seu alcance era de 13 milhas náuticas, ou 23,7 quilômetros. Tratava-se de um referencial para pescadores e navegadores. No último dia 2, alertados pela reportagem de GZH, militares do Serviço de Sinalização Náutica do Sul, da Marinha do Brasil, fizeram o reparo da lâmpada que encontrava-se sem bateria.


Instalado a 50 metros das águas da Lagoa dos Patos, o Capão da Marca sempre foi divulgado como um ponto turístico local. Mas seu isolamento, em uma área com habitações apenas a mais de um quilômetro de distância, e a falta de sinalização nos arredores do município indicando tratar-se de um monumento histórico fizeram dele alvo constante da destruição.   

Morador de uma das propriedades mais próximas, o agricultor Arlon Brum, 23 anos, cresceu observando a imponência da torre inaugurada em 1849. Integrante da terceira geração da família a viver na região, Arlon recorda das conversas com o avô, Zaldo Gonçalves, que era amigo do antigo faroleiro. Certa vez, foi Zaldo que o socorreu no meio da noite, na escuridão. Com o carro atolado nas dunas, o único morador do farol precisava de um reboque. 

Namorada de Arlon, a gestora ambiental Juliana Pereira, 27 anos, de Mostardas, cresceu ouvindo histórias parecidas do bisavô, Luís Rocha, antigo tropeiro da região, que costumada levar mantimentos aos que cuidavam do farol. Arlon conta que, até a adolescência, subia no alto da torre para ver as belezas naturais da região. A porta não tinha tranca, e o faroleiro já não trabalhava mais no local. Com o tempo, visitantes e moradores passaram a invadir e destruir a edificação. Nas paredes externas, há nomes e indicações de cidades do sul do Estado, da Capital e da Serra.

Uma das últimas partes arrancadas foi a bateria usada para a iluminação noturna do farol. Arlon conta ter visto o equipamento rolando nas areias, em 2020:   

– O farol está se desmanchando e ninguém parece se importar. Um dia foi ponto turístico. Infelizmente, virou ponto de vandalismo. 

Como uma das últimas alternativas para salvá-lo, uma das janelas de vidro foi trocada por uma placa de metal, e a única porta de entrada, soldada pelo Serviço de Sinalização Náutica do Sul. Hoje, não se pode mais entrar na área interna do farol, apenas circundá-lo, já que ele está trancado. 



















Em resposta a questionamentos enviados por GZH, a assessoria de comunicação do Comando do 5º Distrito Naval, da Marinha do Brasil, informou que “o farol deixou de ser guarnecido em 1985, em virtude de substituição do antigo sistema (acetileno) por lanterna automática. Quanto à casa do faroleiro, não há informações sobre a destinação dela”. A Marinha também informou que, “durante inspeção realizada em outubro de 2020, verificou-se a ocorrência de furtos dos equipamentos e vandalismo na estrutura do farol. Dessa forma, foi priorizada a recuperação de toda a parte de sinalização para garantir a segurança da navegação na região. Para evitar outros furtos, decidiu-se por lacrar a porta, por meio de solda”. O órgão confirma que “que está agendada para fevereiro a realização dos reparos estruturais”.

Pesquisadora da região há 35 anos, a historiadora Marisa Guedes, de Mostardas, lamenta a situação do farol, considerado por ela uma relíquia histórica. Marisa, que pesquisou documentos e os jornais brasileiros de 1840 a 1930, afirma: Dom Pedro II não passou pelo Capão da Marca para inaugurá-lo, como costumam indicar companhias de turismo, sites especializados e até moradores. 

Segundo ela, durante a Revolução Farroupilha, o império pediu o balizamento da Lagoa dos Patos para ter uma navegação mais segura. No pós-guerra, Dom Pedro II veio ao Estado entre dezembro de 1845 e janeiro de 1846. Mas não para inaugurar o farol. O ex-secretário de Turismo de Tavares, Luiz Agnelo de Tavares, relatou a existência de uma placa de bronze indicando que Dom Pedro II havia inaugurado o farol. A placa foi roubada.  

– O que encontrei, que pode ter confundido as informações, é que o Jornal D. Pedro II, do Estado do Ceará, noticiou a inauguração do Farol Capão da Marca da seguinte forma: “‘Pharol – no dia 25 do mês passado foi inaugurado o Pharol Capão da Marca no Rio Grande do Sul’. Fortaleza, domingo, 24 de abril de 1881” – conta Marisa.  


Em 1847, relata a historiadora, o conselho administrativo da província do Rio Grande do Sul determinou a construção dos faróis do Estreito, onde hoje é São José do Norte, de Cristóvão Pereira, atual Mostardas, e de Itapuã, em Viamão. Eles seriam erguidos em alvenaria e demorariam mais de dois anos para serem concluídos. Mas um naufrágio na Lagoa dos Patos fez o governo erguer um farol provisório de madeira no Capão da Marca, onde hoje é Tavares. 

Em meio às obras dos demais, uma grande tempestade destruiu parte das construções, e o único a resistir aos fortes ventos foi o de Capão da Marca – mesmo sendo de madeira. A torre existente até hoje deu mais robustez à construção. Ela chegou diretamente da França em 20 de novembro de 1879 e levou três meses para ser montada. 

– Algumas pessoas falam que o Cristóvão é o primeiro farol do Estado por ter sido inaugurado em 1858. Os mais antigos não contavam os provisórios como faróis. Mas há a lei da inauguração do Capão da Marca, de 1849 – explica Marisa.   

Desde 1926 o Capão da Marca tem como característica luminosa o lampejo “encarnado” (vermelho) longo (dois segundos), intercalado com oito segundos apagado. 

Para chegar ao farol

O agricultor Eron Costa Gonçalves, 47 anos, planeja colocar uma placa na entrada do sítio Dois Irmãos, pertencente à família há três gerações, indicando que a propriedade não é o caminho mais adequado para se chegar ao Capão da Marca. Gonçalves conta que um casal de jipeiros indicou ao Google a estrada interna do sítio como sendo o trajeto para ir até o farol.

– Começou a chover gente de jipe e carro de trilha aqui ao lado da nossa casa. Temos pessoas idosas tentando se proteger da covid-19. Não posso permitir isso. Mas eles insistem, abrem a porteira e querem passar – relata Gonçalves.

Segundo a prefeitura de Tavares, o caminho oficial passa por dentro da área central da cidade e vai até o balneário municipal. Depois, os motoristas precisam seguir pela beira da lagoa e atravessar um córrego de uma lavoura de arroz. Só veículos 4x4 conseguem chegar. De acordo com a prefeitura, placas que indicarão o caminho estão sendo confeccionadas para serem instaladas desde a entrada da cidade até a margem da Lagoa dos Patos.



sábado, 6 de fevereiro de 2021

domingo, 31 de janeiro de 2021

À espera da tartaruga

 


Entre ressacas e muitas histórias de pescador, o passado, o presente e o futuro das plataformas marítimas do RS Reportagem de GZH visitou as estruturas de Cidreira, Tramandaí e Atlântida e ouviu os planos para o futuro dos locais

As plataformas de pesca do litoral gaúcho sobrevivem graças a associações ou por meio da iniciativa privada e têm nos colaboradores e sócios a única forma de custeio. Nenhuma das três estruturas no Estado é concessão pública.

Nesta quarta-feira (27), GZH visitou os locais, conversou com usuários e com as administrações — ouviu boas histórias, mas também o temor de quem vê a conta não fechar no fim do mês. 

Confira a seguir como está a mais antiga das construções, em Atlântida, conheça a “rica” e bem estruturada plataforma de Tramandaí e se surpreenda com a maior de todas, decorada com capricho, em Cidreira. 

Em Atlântida, reforma deve custar R$ 1,5 milhão 






No grupo de WhatsApp Alunos do Tio Chico, cerca de duas dezenas de pescadores combinam encontros e trocam mensagens para não perderem o laço fora da temporada. Tio Chico, porém, não foi adicionado.  

— Eu soube que criaram esse grupo aí — desdenha, em tom de brincadeira, Francisco Wilmar dos Santos, 89 anos. 

Bem humorado e com assiduidade quase diária, Tio Chico é uma "entidade" da Associação dos Usuários da Plataforma de Atlântida (Asuplama). O mais velho dos registrados é Olívio Taffarel, que, com 95 anos, raramente tem pescado nos últimos meses para evitar se expor no período de pandemia. 


O local que, informalmente, elegeu o idoso como professor é a "vovó" das plataformas marítimas do Estado. Inaugurada em agosto de 1970, fica entre as guaritas 86 e 87, em uma área nobre do balneário de Atlântida, município de Xangri-lá. 

A idade e as características da construção, contudo, deixam esse glamour em segundo plano: impactada pelas inúmeras ressacas que atingiram a costa nos 50 anos de atividade, teve de ser reconstruída mais de uma vez. Um ponto de aproximadamente 80 metros cedeu completamente e desapareceu nas águas em 1997. Por isso, hoje ela é a única das três que não tem a forma de “T”. 

Com a queda de muretas em 2019 e 2020, mais R$ 300 mil foram adicionados às dívidas. O presidente da Asuplama, José Luís Rodrigues Rabadan, afirma que a última parcela da reforma referente a 2019 foi paga há poucos dias. A mais recente ainda tem prestações vencendo por mais um ano. Projetada para durar 30 anos, a obra que já ultrapassou o prazo inicial tem um plano ousado.  

— O ideal para sobreviver aos próximos anos é cravar em torno de 10 pilares, obra que tinha que começar já neste ano. Assim melhoria o travamento da estrutura — diz. 

O projeto tem custo estimado de R$ 1,5 milhão, segundo Rabadan, que levará as informações à prefeitura, em busca de apoio. Parcerias com condomínios são procuradas para aumentar o caixa e proporcionar descontos aos moradores dos residenciais. 

— Enquanto isso, é rifa em cima de rifa. Faço um apelo aos diretores de grandes empresas, a gente não pode deixar cair nossa plataforma — reitera o presidente. 

Há vistorias periódicas da Marinha. E um dos diretores da plataforma é um engenheiro civil. Ambos examinam a estrutura e, salvo nos casos de ressaca muito forte, não há risco de queda. A plataforma de Atlântida é mais baixa que as outras, por isso é a única atingida pelas ondas.


Atualmente, a plataforma de 350 metros pouco encanta quem repara no piso de pintura desgastada, e na recepção com portões enferrujados. Há rachaduras em parte do concreto e as áreas para lavar peixes ou iscas têm espaço reduzido. Há apenas cinco funcionários, e por isso o serviço de faxina é realizado pelos arrendatários do restaurante.  

A mensalidade, no valor de R$ 100, é paga hoje por 220 associados. Esse número já alcançou 1,8 mil no auge, nas primeiras duas décadas de vida da construção. 

A vista, em um terraço no extremo norte, compensa quem busca as belezas naturais e deixa de lado as reformas aparentes. Para visitar, o ingresso custa R$ 8 e dá direito a duas horas de permanência.

— Trabalhei a noite toda e vim direto para cá, desestressar — elogia o segurança Cássio Derlam, 41 anos. 

Em 1995, duas horas de “luta” na plataforma terminaram na captura de uma arraia de mais de cem quilos. Contado como história de pescador, o fato é chancelado por sócios que participaram da ação. 

— Descemos para a praia e ficamos lutando até quase na frente do Bali Hai (restaurante na região). O quiosque de madeira do Carlos Biguá tinha uma balança de chão, e nela a arraia pesou por volta de 125 quilos — conta, em detalhes para dar credibilidade, o representante comercial Thiago Gerlach Barata Silva, 45 anos.  

O diretor encerra com uma provocação: diz que vai convocar arquitetos para criar um projeto inovador, sustentável, e que ofereça à iniciativa privada espaços para serem explorados comercialmente, como lojas, restaurante panorâmico e até um embarcadouro. 


Tramandaí tem maior receita e melhor estrutura 





Nascida a partir da falência de um projeto comercial — em 1973, os cotistas criaram uma sociedade e finalizaram a obra —, a plataforma de Tramandaí é hoje mais do que um clube de pesca, define o presidente da instituição, Hélio Cláudio Decamillis, 82 anos: 

— Isso é um clube social, para reunir a família, e esse é nosso maior objetivo. 

Com 1,2 mil sócios, o local mostra força. Na área do espigão, como é chamada a passarela central da estrutura, pequenas construções são reservadas a mensalistas. No mesmo corredor, se chega ao maior restaurante das três plataformas. Há bancos de concreto em boa parte dos 365 metros de extensão e uma série de pias para manusear os pescados. As cores, azul e amarelo se mantêm vivas, mesmo em uma área diretamente atingida pela maresia. 

Enquanto a reportagem esteve no local, funcionários foram vistos limpando banheiros e varrendo o piso. Com a alta adesão de associados, o movimento também foi o maior das três estruturas à beira-mar, localizada próximo a guarita 152. 


Com camisa de estampa igual à do marido e semblante tranquilo, a comerciante aposentada Magda Fraga, 71 anos, iscava sardinha nos anzóis. Ela escolheu um dos braços do “T” para pescar — a área tem em torno de 50 metros, semelhante à de Cidreira, mas menor em relação à de Atlântida. 

— Aqui, eles cuidam muito. Temos todo o conforto, tanto que a gente tem casa em Nova Tramandaí e as vezes não sai nem para comer — diz. 

Pescadora desde a infância, relembra do dia em que ficou com lama até o joelho: 

— Ih, já passei por cada pescaria. Essas de lagoa a gente suja tudo. 

O esposo, Renato Fraga, 72 anos, afirma que o preço pago para usufruir dos confortos da plataforma valem o investimento. 

— Isso é uma terapia. Se gasta mais mantendo o título do que se comprasse peixe, mas vale muito — define. 

Novos membros precisam pagar R$ 900, à vista, para adquirir a joia do clube, que dá direito ainda a uso da sede campestre. Se for indicado por outro sócio, o valor cai para um terço. A mensalidade é de R$ 90 — pessoas que comprovem ganhar no máximo dois salários mínimos pagam 50% do total. Visitantes pagam R$ 5 por meia hora de permanência.

O presidente afirma ter de realizar reparos recorrentes devido a chuvas e umidade vinda do mar, mas diz não ter planos de expansão: 

— O dinheiro nós usamos para manter bem cuidado. E nada seria assim se não fossem os nossos excelentes funcionários. 

Ao todo, 20 funcionários atuam na plataforma.  

Cidreira tem a maior em extensão 



Enio Dewes, 74 anos, chega vagarosamente à plataforma de Cidreira, estrutura que avança sobre a faixa de areia do balneário de Salinas. Pé por pé, carrega uma caixa térmica, balde e uma vara com molinete. O ritual se repete há 21 anos. 

— Já subo ralhando e sendo ralhado — diz, em um mau humor inverossímil, o microempresário aposentado. 

Com 500 metros de extensão, a estrutura imponente no balneário de Salinas, na altura da guarita 173, ocupa quase toda a faixa de areia, até próximo de uma duna que separa a praia da calçada. Suntuosa à distância, demonstra um charme que conquista na chegada. O corredor de acesso expõe mais de 20 vasos ornamentais, que resguardam plantas ainda pouco vistosas. 

A fachada lembra a de uma residência de veraneio, com janelas brancas de base reta e topo arredondado. O primeiro ladrilho exibe pétalas coloridas, obra de um dos trabalhadores do local, administrado por uma empresa com escritório em Porto Alegre. Os banheiros têm lajotas coloridas, mesmo estilo dos vistos na frente do prédio.


Paulo Roberto de Miranda, 55 anos, dedicou metade da vida ao trabalho de “clínico geral”, como brinca, sobre ser o faz-tudo da estrutura. 

— Nos anos 80, tinha aquelas miraguaias (espécie de peixe gigante), coisa mais linda. Agora, os barcos de arrastão acabaram com isso — lamenta. 

Ele se mostra saudosista ao apontar para a sala de troféus, área interna de maior beleza vista em todas as plataformas. Se hoje não se pesca mais como antigamente, como denota Miranda, parte da história das batalhas no mar são vistas nesse ponto da construção: moreia, carpa-cabeçuda, cobra do mar, peixe-espada e outros cerca de 50 animais foram conservados em um processo de taxidermia. Têm a identificação e alguns até exibem a data em que foram pescados. 

As primeiras vigas foram instaladas no local em 1983, e no mesmo ano os pescadores iniciaram a ocupação do espaço. Os trabalhos levaram nove anos para serem concluídos. 

Não há restaurante no local, mas sim duas lancherias. O presidente da plataforma, Jone de Lima, 76 anos, afirma que o modelo de negócio é mais viável para a região. Para o futuro, afirma que investirá em automação na portaria. 

— Temos um trabalho de conservação permanente. A automação na portaria é um projeto, além de outras melhorias. Com sucesso junto aos sócios, brevemente será implementado — reforça. 

A mensalidade paga é cobrada por ano: R$ 600 nos primeiros 12 meses e R$ 440 após a renovação — é a mais barata das três áreas de pesca. Atualmente, 980 pessoas pagam a anuidade — o local chegou a ter mais de 2 mil, e acompanha a queda no número de associados das “concorrentes” mais ao norte. Visitantes pagam R$ 5 por meia hora de permanência.

Em todos os locais foi exigido o uso da máscara para acesso. Dentro da estrutura, a maioria dos visitantes manteve o acessório, com exceções. 



sábado, 7 de março de 2020

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Um sonho da época que se tornou realidade por um determinado período.

O luxuoso hotel que foi erguido sobre uma enorme e inóspita planície de areia em Xangri-lá, nos anos 1950

Construção contava com 50 apartamentos e chegou a ter, inclusive, uma piscina térmica com água do mar.


RICARDO CHAVES







Armênio Abascal Meireles / Agencia RBS
Hotel Termas Xangri-lá, em 1976. Armênio Abascal Meireles / Agencia RBS.
“Acontecimento de relevo no setor de veraneios foi sem dúvida a inauguração do Novo Hotel Cassino Xangri-lá, em Capão Alto. Arquitetura moderna rivalizando-se com o que de mais avançado existe, no mundo, em estações de veraneio...” Dessa forma o jornal Pioneiro, de Caxias do Sul, em sua edição do dia 2 de março de 1957, apresentava o que um outro órgão da imprensa gaúcha dizia ser “sem favor nenhum, o mais arrojado empreendimento arquitetônico à beira-mar”. 
Armênio Abascal Meireles / Agencia RBS
“Sem favor nenhum, o mais arrojado empreendimento arquitetônico à beira-mar”, dizia a imprensa na época da inauguração. Armênio Abascal Meireles / Agencia RBS
Exageros à parte, na verdade, foi mesmo uma ousadia o Grupo Capão da Canoa, comandado pelos empresários José Agostinelli, Ramiro Corrêa F. da Silva, Milton Gonçalves da Silva e J.J. Selhane, erguer, naquela época, no meio de uma enorme e inóspita planície de areia, um hotel que buscava a excelência no atendimento aos seus hóspedes.


Na última quarta-feira, este Almanaque fez referência às dificuldades para a construção, em 1953, da primeira casa de Xangri-lá, localidade, então, chamada de Capão Alto. Pois, logo em seguida, foram iniciadas as obras do hotel.


Na seção “Cock-tail Social”, num dos principais diários da imprensa gaúcha, a colunista Lígia escreveu: “Exemplo concreto dos novos tempos é o Hotel Xangri-lá, em Capão Alto. Amplo, moderno, bem instalado, além do banho de mar, a gente vive e se diverte melhor. Isso porque aquele hotel tem uma equipe ativa 24 horas por dia para proporcionar um serviço eficiente. A começar pela recepção, passando pela gerência e pelo restaurante. Atenção ‘gourmands’: é supervisionado pelos srs. Mario Bardi e Ivo Ostolfi, terminando no bar, ou na boite, onde quem dá a última palavra é o sr. Augusto Ariola”. 


Na minha família, há uma história folclórica que envolve a inauguração desse hotel. Uma tia, socialite, convidada para a inauguração, chegou com a devida antecedência (junto do marido e de um filho pequeno... e terrível) e hospedou-se.

Arivaldo Chaves / Agencia RBS
Entre as atrações, uma piscina térmica com água salgada do mar. Arivaldo Chaves / Agencia RBS


No salão de refeições, uma enorme mesa estava previamente preparada para o banquete. Pois não é que, num momento de distração do casal, o garoto subiu numa cadeira, depois na mesa, por cima da qual correu, em dasabalada carreira, mandando para o alto (e para o chão) pratos, cálices, talheres e tudo o mais. Conta a lenda que o moleque quase inviabilizou o jantar. Hahaha!


Esse hotel, com 50 apartamentos, para 300 hóspedes, teve, inclusive, uma piscina térmica com água salgada do mar. Que coisa! Tempos depois, no final dos anos de 1980, já sem o esplendor dos primeiros tempos, o empresário Ernani Dieterich ainda tentou fazer um upgrade e adaptar uma ala como uma espécie de spa para a terceira idade. 


No início dos anos 2000, 90% dos hóspedes eram argentinos ou uruguaios. Mas nada foi capaz de impedir que o hotel fosse entrando em decadência rumo ao fechamento e, finalmente, à demolição, que ocorreu em 2006. Ficaram apenas as lembranças.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

O prédio mais alto do Litoral Norte possui 29 andares e esta localizado em Torres.

Como é a vista do prédio mais alto do Litoral Norte

Localizado em uma construção de 29 andares, duplex foi totalmente reformado





É preciso pouco mais de um minuto para alcançar seu topo. No trajeto, os visitantes já são presenteados com um pouquinho do que está por vir: o elevador panorâmico é uma espécie de cartão de visitas que oferece as boas-vindas. 
Conforme o equipamento vai subindo, a vista estonteante de Torres é revelada. Estamos dentro do Graziela, prédio mais alto do Litoral Norte de acordo com a Associação dos Municípios do Litoral Norte (Amlinorte). Encravada em plena Praia Grande, a construção de 29 andares, cerca de 87 metros, tem uma visão privilegiada de todo o município e suas belezas naturais. Conforme a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo, o plano diretor de Torres, que está em revisão, não prevê limite de altura para as edificações, exigindo, apenas, estudos de impacto de construções acima de 30 metros.

O ponto mais alto do prédio, como é de se imaginar, é cheio de superlativos. O duplex que ocupa o 28° e o 29° andares tem área útil de mais de 500 metros quadrados, onde estão dispostas quatro suítes, banheiro social, sala ampla, cozinha social e cozinha de serviço. Fora isso, tem oito vagas de garagem, além do elevador panorâmico, que para direto no 29° andar, o que dispensa a entrada pela área íntima. Não bastassem todos esses atributos, o apartamento ainda ostenta uma visão 360° de toda a região. 
De quase qualquer ponto do duplex é possível se deleitar com a vista eterna do mar de Torres e da Ilha dos Lobos, que fica bem em frente das janelas da sala. Alguns cômodos ainda oferecem uma visão da Praia dos Molhes e do encontro do mar com o Rio Mampituba. Da cobertura, vê-se, a perder de vista, Santa Catarina. Do outro lado, os morros que contornam o Litoral. 

Da sala, uma vista privilegiada da praia e da Ilha dos Lobos

"Mansão suspensa" 

Vendido para o proprietário atual em uma negociação que iniciou em R$ 4 milhões, em dezembro de 2017, o duplex passou cerca de 18 meses em reforma até chegar no atual estado. 
— Foi investido bastante no apartamento. Desde a parte estrutural, até toda a parte de mobília. Começou do zero — diz Gabriel Maggi Quiroga, corretor da imobiliária Tranquila, responsável pelo negócio. 
Foram diversas modificações: reformas estruturais, impermeabilizações, vidros e janelas novas. O plus ficou por conta da automatização completa de janelas e cortinas, climatização e instalação de som ambiente. Embora esteja impecável e pronto para o uso, o proprietário acredita que ainda são necessários alguns ajustes. 
— Fui ao apartamento e notei que necessitava de uma reforma. Fiquei assustado com tudo o que precisava, mas, no fim, deu tudo certo — conta o empresário dono do imóvel, que preferiu não se identificar. 
— Tínhamos a ideia de comprar em Balneário Camboriú (SC), mas aqui ficaria bem mais próximo. Torres é bonita por natureza e tem vários atrativos. A oportunidade surgiu através de um amigo — conclui o proprietário. 

Cortinas e lustres clássicos decoram a sala de estar

Luxo total 

Decorado em estilo clássico, o duplex é a mais completa definição de luxo. Na paleta de cores, o predomínio é de tons claros, com soberania do bege, que aparece até na mesa de sinuca do segundo piso. Sofás e poltronas com capitonê dão classe e imponência, enquanto os detalhes dourados, folheados em ouro 24 quilates, presentes na decoração da lareira, do guarda-corpo da escada e dos puxadores da porta principal, conferem ainda mais pompa. 
— Ele (o proprietário) gosta muito dos detalhes clássicos, foi isso que a gente fez. Todas as composições são pensadas pra se unirem e formar uma coisa única. Não é aquele clássico pesado com muita informação de textura e cores. Mantivemos a base homogênea com alguns destaques — explica Athos Peruzzolo, arquiteto que cuidou do projeto de reforma e decoração do apartamento. 
Na suíte principal, dá para acordar olhando para o mar. Com um clique, janelas e cortinas se abrem revelando a bela paisagem de Torres. Se a ideia for relaxar na banheira, sem problemas. As duas amplas aberturas também permitem a vista da praia ou do rio. 

Com vista para o Mampituba, piscina segue linguagem clássica do interior do imóvel

Por todos os cômodos, lustres e arandelas adornam os ambientes. Vindos diretamente da Itália, os eletrodomésticos da cozinha dão um ar retrô ao espaço localizado no segundo andar. Além dos itens comuns, como geladeira, fogão, forno e coifa, o amplo espaço ainda tem uma churrasqueira e chopeira. Tudo isso, claro, com janelões que emolduram a paisagem da praia. 
Próximo à mesa de sinuca, uma adega diferente. Espalhadas por toda a parede, as garrafas de vinho dispostas na horizontal se juntam a decoração do ambiente. Do teto, passando pela frente da adega, desce uma tela gigante, transformando o local em uma sala de cinema privativa. 

Na parte externa da cobertura, uma piscina com deck de madeira branco e com vista para o rio e morros. Em outro canto, sofás, poltronas e uma pequena lareira, para aproveitar o local até mesmo nos dias de frio. 
Toda a belíssima infraestrutura ainda não foi usufruída pelo proprietário e sua família. Ele garante que a rotina corrida é o motivo pelo qual não aproveitou o grande investimento que fez. 
— Tive um dia aí, um sábado de tarde.  
Questionado sobre o ambiente preferido, ele se esquiva. 
— Não tem o que não gostar. Qualquer ambiente é bom! Na sala, tem vista para o mar. No quarto, também. A adega é um espetáculo — enumera. 
Após todas as melhorias e a decoração, o apartamento mais alto do Litoral Norte tem um valor estimado de R$ 10 milhões. Apesar de todo o investimento, o atual proprietário não descarta vender o imóvel, caso apareçam interessados em negociar. 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Árvore Símbolo de Capão da Canoa

Árvore Símbolo de Capão da Canoa .
A Figueira-de-Folha-Miúda
Através da Lei Municipal nº 588 de 18 de maio de 1992, foi adotada como árvore símbolo de Capão da Canoa a FIGUEIRA-DE-FOLHA-MIÚDA (Ficus Organensis Miquel) também conhecida como Figueira Branca.
É considerada a Árvore Oficial do Município nas comemorações do Dia da Árvore.
A promoção e a difusão da Árvore Oficial do Município é de competência da Secretaria Municipal da Educação, Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio e da Secretaria do Meio Ambiente e Planejamento.
Fonte: Regina Ramão.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020



A história da freeway, a estrada que liga gaúchos ao Litoral Norte desde 1973

Trecho entre Porto Alegre e Osório da BR-290 abreviou o tempo de viagem até as praias para muitos motoristas

 
Hipolito / Agencia RBS
No dia da inauguração da autoestrada, público foi assistir à passagem de veículos




Quando o trecho entre Porto Alegre e Osório da BR-290 foi inaugurado, na manhã do dia 26 de setembro de 1973, os gaúchos, especialmente os moradores da Capital, se sentiram entrando em uma nova era. Até então, para se deslocar para o Litoral Norte, os porto-alegrenses tomavam assento em automóveis abarrotados de malas e apetrechos de férias e seguiam na direção da RS-030, hoje conhecida como Estrada Velha – aliás, ainda disponível, só que agora mais como alternativa a sua irmã mais nova, nos horários de pico. 

A Estrada Velha foi, por muito tempo, o único caminho para chegar até Osório e, dali, alcançar o mar, com seus encantos, em Tramandaí, Capão da Canoa, Torres e outros paraísos. A estradinha de pista simples, pontuada por curvas sinuosas, recebia um tráfego intenso, não só de veículos de passeio como também de ônibus e caminhões, o que a deixava cheia de buracos no asfalto. Mas quem ligava?
A viagem começava por Gravataí – a passagem era por dentro da área urbana –, prosseguia por Glorinha e tinha parada obrigatória em Santo Antônio da Patrulha. Embora este município, fundado em 1811, seja um dos quatro mais antigos do Rio Grande do Sul, os veranistas não paravam ali para desfrutar do turismo histórico, mas para saborear os famosos e tradicionais sonhos e rapaduras da cidade. Tudo isso mudou com o corte da fita da nova rodovia. Ao passar pela região, com velocidade máxima permitida para automóveis de 120 km/h, mal dava para espiar a placa de Santo Antônio da Patrulha, muito menos desfrutar de sonhos e quimeras. 

Com duas pistas em cada sentido (hoje são três), separadas por um largo canteiro central, a rodovia inaugurada no começo dos anos 1970 foi considerada a primeira autoestrada brasileira. Para encher ainda mais o peito, os gaúchos lhe deram um apelido que é referência às vias expressas da Califórnia, especialmente as que cortam a região metropolitana de Los Angeles, chamadas de freeways. Não é fora de propósito. Afinal, naquela época, as influências anglo-saxônicas se expandiam cada vez mais em nosso vocabulário a bordo do rock and roll, que sacolejava nas ondas do rádio.
Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Vivíamos o ocaso dos tempos de “milagre econômico”, período em que a economia dava sinais de prosperidade, os quais desapareceriam logo ali em seguida, com a crise mundial do petróleo, curiosamente, deflagrada um mês após a inauguração da freeway, em outubro de 1973. Sem se dar conta, o país priorizava um modelo de transporte baseado, principalmente, em rodovias, abandonando pouco a pouco a malha ferroviária como opção de deslocamento. Mas quem se importava? 
A inauguração da freeway abreviou o tempo de viagem dos porto-alegrenses até o Litoral Norte. Com a autoestrada, o percurso de 96,6 quilômetros até Osório passou a ser feito em cerca de uma hora. Nos primeiros tempos, o movimento alcançava, no máximo, 300 veículos por hora, marca quase 17 vezes menor do que a atual. Ela ainda ganhou importância como corredor de escoamento dos produtos procedentes da Argentina e do Uruguai no âmbito do Mercosul. Até hoje, é uma das estradas mais bonitas do país. E, o melhor de tudo, nos deixa pertinho das areias do mar.

PAULO CÉSAR TEIXEIRA - INTERINO

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Incêndio atinge Restaurante Bali Hai - Ponto tradicional de Atlântida.

Incêndio atinge o restaurante Bali Hai , ponto tradicional de Atlântida (Xangri-lá)
Fotos de Emerson Rosas
Matéria Clic Rbs .

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Igreja de Venâncio Aires a Segunda maior Igreja em Estilo neogótico da America Latina - 07/03/1928 sua construção.

Igreja São Sebastião Mártir, padroeiro de Venâncio Aires, construída em 07/03/1928 - lindíssima - orgulho de todo nosso Estado.
A Igreja Matriz de São Sebastião Mártir é um templo católico localizada na cidade de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, no Brasil. É o principal monumento da cidade. Homenageia o padroeiro do município, São Sebastião. Seu arquiteto foi o alemão Simão Gramlich, em 1927. Hoje, ela é considerada a segunda maior igreja em estilo neogótico da América Latina.
Tive o privilégio de fotografá-la nos dias 15 e 16 de junho de 2019.

Igreja São Domingos , inaugurada em 1824 em Torres.


A Igreja mais antiga do Litoral Norte do RS, fica em Torres, "Igreja São Domingos, inaugurada em 1824, tombada como patrimônio histórico e cultural do RS em 1983.A obra de restauro preservou estruturas da época, mas também adicionou itens tecnológicos à construção de mais de 190 anos. Localizada no Morro do Farol, a igreja representa o marco inicial urbano de Torres, que cresceu ao seu redor. Ao lado do prédio, está a casa número 1 do município, que teria recebido o imperador Dom Pedro I durante passagem pela cidade
Passou por obras de restauração a partir de 2011, com recursos e contrapartidas provenientes de diversas fontes, que foram concluídas em abril de 2017..
O processo de restauração tem a assinatura do arquiteto Edegar Bittencourt da Luz.
Em 2013, a igreja obteve a verba restante com empresas, por meio da Lei de Incentivo à Cultura Estadual e da Lei Rouanet, do governo federal. No total, a restauração custou R$ 2,27 milhões. A obra envolveu desde a substituição do teto e do piso por madeira de alta densidade até novas instalações elétricas, hidráulicas e de proteção a incêndios. A igreja também ganhou acessibilidade para cadeirantes.
A foto mais antiga é da década de 40.
Fonte: Sabrina Ortácio.
Fonte : ZH